O Crack
CRACK
Também chamado de pedra ou roch, é cocaína solidificada em cristais, o nome crack deriva do barulho peculiar ao ser fumado.
O crack é a conversão do cloridrato de cocaína para base livre através de sua mistura com bicarbonato de sódio e água,; é ainda a forma de cocaína mais viciante e também a mais viciante de todas as drogas. As pedras de crack oferecem uma curta, mas intensa euforia aos fumantes.
História
Cracolândia, ponto de consumo de crack
O crack apareceu nos Estados Unidos primeiramente em bairros pobres do centro da cidade de New York, Los Angeles e Miami no final de 1984 e 1985
No Brasil, o crack passou a ser conhecido nos anos de 1990,
Brasil
As informações sobre a chegada do crack ao Brasil vem da imprensa leiga ou órgãos policiais. A primeira apreensão da substância no município de São Paulo registrada nos arquivos da Divisão de Investigação sobre Entorpecentes (DISE) aconteceu em 1990,
algumas evidência apontam para o surgimento da substância em bairros da Zona Leste da cidade, para depois alcançar a região da Estação da Luz (que ficou conhecidade como Cracolândia), no centro da cidade.
Características e uso
Nas formas mais puras, as pedras de crack aparecem como cristais brancos, com bordas irregulares, com uma densidade ligeiramente maior do que cera de vela, ou ainda, se assemelham a um plástico duro e quebradiço . Formas mais puras de crack afundam na água ou derretem nas bordas quando perto de uma chama (o crack vaporiza a 90 °C, 194 °F).
O surgimento do crack foi a solução encontrada para o problema do preparo da pasta básica para consumo, os traficantes então passaram a vender doses bem pequenas de crack por um preço bem baixo quanto 3 dólares.
Para o consumo inalatório da droga, são utilizados cachimbos elaborados pelos próprios usuários, geralmente de alumínio e compartilhados entre o grupo de uso. Também tem sido comum o consumo de cigarros comuns ou de maconha com fragmentos de pedras de crack.
A forma injetável do crack não teve sucesso e foi quase extinta no Brasil, substituído pelo crack que provoca efeito semelhante e tão potente quanto à cocaína injetada
Efeitos psicológicos e fisiológicos
Mulher consumindo crack
Objetos usados por fumantes de crack como cachimbos de vidro e improvisados de latas e garrafas
Os efeitos iniciais do crack são mais rápidos e intensos que os experimentados pela injeção endovenosa de doses equivalentes. A duração dos efeitos do crack é muito curta, em média cinco minutos, enquanto a cocaína, depois de injetada ou usada por via intranasal, provoca efeitos com duração em torno de 20 a 45 minutos.
Os efeitos causados pelo crack são:
Euforia,agitação, sensação de prazer,irritabilidade, alterações da percepção e do pensamento, taquicardia e tremores, perda de apetite, extrema auto-confiança, insônia, estado de alerta, aumento de energia/disposição física
Grandes quantidades podem induzir tremores, vertigens, espasmos musculares, paranóia, ou com doses repetidas, uma reação tóxica muito parecida com intoxicação por anfetamina. O uso regular do crack pode provocar alucinações e causar comportamentos violentos, episódios paranóicos e inclusive impulsos suicidas.
Abuso de drogas estimulantes (principalmente anfetaminas e cocaína) podem levar a "parasitose delirante" (síndrome Ekbom: a crença equivocada de que se está infestado de parasitas).Essas ilusões também estão associados a febre alta ou abstinência do álcool, muitas vezes, juntamente com alucinações visuais sobre insetos. Pessoas que vivem essas alucinações podem arranhar-se e causar danos cutâneos graves e sangramento, especialmente quando estão delirando.
Grandes quantidades (várias centenas de miligramas ou mais) intensificam o efeito do crack para o usuário, mas também pode levar a um comportamento bizarro, errático e violento. Grandes quantidades podem induzir tremores, vertigens, espasmos musculares, paranoia ou, com doses repetidas, uma reação tóxica muito parecida com a reação do uso das anfetaminas. Alguns usuários de crack relataram sentimentos de agitação, irritabilidade e ansiedade. Em casos raros, morte súbita pode ocorrer no primeiro uso do crack ou de forma inesperada depois. As mortes relacionadas ao crack são, muitas vezes, resultado de parada cardíaca ou convulsões seguida de parada respiratória.
Pode-se desenvolver uma tolerância considerável ao uso do crack, é quando os viciados procuram atingir o mesmo prazer de sua primeira experiência. Alguns usuários aumentam a frequência das doses para intensificar e prolongar os efeitos eufóricos. Embora a tolerância a altas doses possa ocorrer, os usuários poderão também tornar-se mais sensíveis (sensibilização) para efeitos anestésicos e convulsivante do crack, sem aumentar a dose tomada. Aumento de sensibilidade pode explicar algumas mortes que ocorrem após doses aparentemente baixas de crack.
O primeiro relato de AVC induzido por cocaína data de 1977, com o desenvolvimento e disseminação do crack na década de 1980, houve um aumento significativo no número de relatos de caso descrevendo os AVCs inquêmicos e hemorrágicos associados ao uso de cocaína, porém não há fatores de risco para que ocorra um AVC associado ao uso de cocaína.
O consumo de crack fumado através de latas de alumínio como cachimbo, uma vez que a ingestão de alumínio está associada a dano neurológico, tem levado a estudos em busca de evidências do aumento do alumínio sérico em usuários de crack.
Tratamento
Atualmente várias abordagens de tratamento para dependência de cocaína e crack no Brasil vêm sendo discutidas, porém existem muitas controvérsias sobre qual abordagem demonstra maior efetividade na literatura científica. Há um consenso de que a dependência de crack exige um tratamento difícil e complexo, por ser uma doença crônica e grave que deverá ser acompanhada por longo tempo. Não existe um único tratamento para eliminar o vício de crack, o dependente precisa ser atendido nas diversas áreas afetadas, tais como: social, familiar, física, mental, questões legais, qualidade de vida e trabalho de estratégias de prevenção de recaída.
Devido aos baixos índices de motivação do dependente e, consequentemente, pouca aderência do paciente ao tratamento, a família e a rede social de apoio exercem um papel de fundamental importância durante o processo de intervenção terapêutica. Contudo, a maioria dos estudos de revisão sobre famílias de dependentes químicos confirma que o universo familiar dessa população é frequentemente disfuncional. Outra dificuldade no tratamento do vício de crack é a ausência de uma medicação específica que reduza o desejo pelos efeitos dessa substância. Inúmeros ensaios clínicos já foram realizados com antidepressivos tricíclicos: imipramina; inibidores seletivos de recaptaçaão de serotonina-ISRS: fluoxetina, sertralina e paroxetina; anticonvulsivantes e estabilizadores de humor: carbamazepina, gabapentina, lamotrigina, lítio; antipsicóticos e agentes aversivos, como o dissulfiram. Contudo, os resultados não mostraram qualquer sucesso.
Epidemiologia
Canadá
Pesquisas recentes têm mostrado aumento no uso do crack, e um estudo com moradores de rua mostrou que 52,2% deles tinham consumido crack nos últimos seis meses. Em Toronto, 78,8% dos entrevistados relataram ter fumado crack nos últimos seis meses
Brasil
Um estudo brasileiro de 2011, examinou a taxa de mortalidade, os indicadores de mortalidade e as causas de mortes entre 131 pacientes brasileiros dependentes de crack/cocaína que procuraram tratamento durante meados dos anos 1990 no Brasil, o perfil predominante do usuário foi: homem, jovem com menos de 30 anos, solteiro, de baixa classe socioeconômica, baixo nível de escolaridade, sem vínculos empregatícios formais e em geral isolado socialmente.
Em 19 de setembro de 2013 o governo federal do Brasil apresentou os resultados das pesquisas “Estimativa do número de usuários de crack e/ou similares nas capitais do país” e “Perfil dos usuários de crack e/ou similares no Brasil” que fazem parte do programa nacional de prevenção e pesquisa "Crack, é Possível Vencer" lançado em 2011.